quarta-feira, 4 de abril de 2012

Pesquisa confirma que não existem ateus num avião em pane


Pesquisa confirma que não existem ateus num avião em pane

Helio Pariz

Manja aquele antigo ditado de que não existem ateus num avião em pane? Pois é, apesar de toda a oposição raivosa à sabedoria popular, uma pesquisa desenvolvida pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, chegou à conclusão de que existe uma curiosa divisão na mente de uma pessoa não religiosa quando ela pensa na própria morte. De um lado, isto a faz ficar – conscientemente – mais cética a respeito da religião, enquanto, por outro lado, ela se torna – inconscientemente – mais receptiva à crença religiosa.

No que diz respeito às pessoas religiosas, a mesma pesquisa sugere que elas têm ambos os níveis – consciente e inconsciente – igualmente reforçados quando são levadas a pensar na própria morte. Os pesquisadores neozelandeses consideram que essas conclusões podem explicar a razão pela qual a religião é um atributo tão durável da natureza humana.

O trabalho reuniu um total de 265 estudantes religiosos e não religiosos em 3 pesquisas inter-relacionadas, em que os participantes foram aleatoriamente expostos a uma espécie de “preparação para a morte” e grupos de controle.

Esta “preparação” consistia em pedir a cada participante que escrevesse sobre os seus sentimentos em relação à sua própria morte ou, no caso dos grupos de controle (e confronto de dados), sobre assistir TV sem nenhum tipo de “preparação”.

No primeiro estudo, os pesquisadores descobriram que os participantes religiosos submetidos à “preparação para a morte” conscientemente declaravam uma crença maior em entidades religiosas que outros participantes crentes que não haviam sido expostos àquela “preparação”.

Já os estudantes não religiosos submetidos à “preparação” para a morte mostraram o efeito contrário: eles revelaram uma descrença maior do que os seus companheiros não religiosos que não haviam sido expostos à “preparação”.

O co-autor da pesquisa, o professor Jamin Halberstadt, disse que esses resultados batem com a teoria de que o medo da morte faz com que as pessoas estejam prontas para defender a sua própria visão de mundo, independentemente do fato delas serem religiosas ou não.

Prossegue Halbestadt: “Entretanto, quando nós analisamos as crenças inconscientes das pessoas nos dois últimos experimentos, surgiu uma figura diferente. Enquanto a “preparação para a morte” fez com que os participantes religiosos tivessem ainda mais certeza da realidade das entidades religiosas, os seus correspondentes não religiosos mostraram menos confiança na sua descrença”.

As técnicas utilizadas para estudar as crenças inconscientes incluíram a medição da velocidade com que os participantes afirmavam ou negavam a existência de Deus e de outras entidades religiosas.

Após serem expostos a pensamentos de morte, os participantes religiosos eram mais rápidos para pressionar um botão afirmando a existência de Deus, mas os descrentes eram mais lentos para apertar o botão negando a existência de Deus.

O professor Halbestadt concluiu, então, que “essas descobertas podem ajudar a resolver parte do quebra-cabeça que pergunta por que a religião é esse atributo tão persistente e disseminado na vida em sociedade. O medo da morte é uma experiência humana praticamente universal e se suspeita que as crenças religiosas desempenham um importante papel psicológico em rebater essa ansiedade. Como nós agora demonstramos, essas crenças operam tanto no nível consciente como inconsciente, permitindo que mesmo ateus declarados tirem – inconscientemente – vantagem delas”.

Entre os co-autores do estudo está Jonathan Jong, atualmente na Universidade de Oxford, que aproveitou as pesquisas para fazerem parte de sua tese de doutorado, e Matthias Bluemke, da Universidade de Heidelberg. Os resultados dos experimentos serão publicados no Journal of Experimental Social Psychology.

Fonte: ScienceDaily



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terça-feira, 3 de abril de 2012

PERDOE SEMPRE!



“Jesus lhe disse: Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete.” (Mt. 18.22)

            O apóstolo Pedro faz uma pergunta que creio, todos nós gostaríamos de ter feito ao Mestre. Ele diz: “... Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete” (Mt18.21)? Ao perguntar, o lado humano e pecaminoso de Pedro estava falando alto, pois após o cumprimento da quantidade de vezes que tivesse de perdoar, ele estaria livre da responsabilidade do perdão.
Penso que todos nós se estivéssemos no lugar de Pedro perguntaríamos da mesma forma, pois na verdade, temos muita dificuldade de perdoar. O orgulho, a altivez, o sentimento de autocomiseração e tantos outros se tornam barreiras a nos impedirem de liberar o perdão.
Ao ouvir a pergunta, Jesus responde: “... não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete”. Ele deveria perdoar o irmão 490 vezes! Em outras palavras Cristo estava dizendo: “Pedro, perdoe sempre”. Cristo perdoou a todos os homens, porque todos pecaram e foram separados da comunhão com Deus (Rm 3.23). O amor de Deus alcançou a todos, pois na Cruz do calvário Ele se fez pecado por nós (Is 53.6). A maravilhosa graça de Deus nos alcançou e nos tornou filhos por adoção. Como salvos temos o Espírito Santo habitando em nós (Ef. 1.13,14). Logo, precisamos ter nossas ações passadas pelo crivo do caráter de Cristo.
O que Cristo faria em nosso lugar? Não há dúvidas, pois Ele perdoaria. Ele nos perdoou! Portanto, precisamos liberar perdão e isto redundará em cura aos nossos corações.
Perdoe sempre! E seja uma bênção em nome de Jesus.

O DESAFIO DE SEGUIR A CRISTO JESUS.!


“Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me;”(Mt. 16.24)

            No texto citado, Jesus apresenta as condições que devem ser cumpridas por aqueles que desejam segui-lo. A primeira é renunciar a si mesmo. Seguir ao Mestre implica mortificar, rejeitar e arrancar todas as vontades da carne. Os desejos dos homens são pecaminosos e primam por distanciá-los da vontade de Deus; renúncia é a palavra que deve ser praticada por aqueles que querem seguir a Cristo.
A segunda condição é tomar a cruz. A cruz que deve ser tomada são as responsabilidades que precisam ser assumidas por aqueles que estão seguindo a Cristo. Ao renunciar a nós mesmos, somos encontrados em condições de receber a missão que Deus preparou para nós, somos encontrados aptos para o trabalho. Que obra Deus quer realizar através da sua vida? Que alvos estão propostos para você?
A uma cruz para eu carregar! Há uma cruz para você carregar! Portanto, se já vencemos a batalha da renúncia, agora o caminho é aceitar a proposta de bênçãos que Cristo tem determinado para nós. É preciso avançar carregando a cruz (trabalho) que nos foi confiada. Esse é o propósito maior de Deus para os seus filhos!
Você está seguindo a Jesus?

O QUE DEVO FAZER ?



O machado já está pronto para cortar as árvores pela raiz. Toda árvore que não dá frutas boas será cortada e jogada no fogo. Então o povo perguntava: — O que devemos fazer?… Alguns cobradores de impostos também … perguntaram a João: — Mestre, o que devemos fazer?… Alguns soldados também perguntavam: — E nós, o que devemos fazer? (Lucas 3.9-14)

Por Tim Carriker

Não é interessante que a pergunta, “o que devemos fazer”, aparece três vezes por pessoas diferentes? Será que as Escrituras estão tentando nos dizer alguma coisa? Com certeza!

Mas como entender isto hoje? Afinal, a previsão de João Batista já se realizou. Jesus já veio, já anunciou a chegada do governo do Pai através do próprio ministério de Jesus, já julgou o estabelecimento religioso da sua época, já morreu, já ressuscitou e já senta à destra do Pai governando o nosso mundo. Portanto, o aviso de João Batista para nós não é fora de época e assim, anacrônica?

Sim e não. Sim, porque tudo isto que mencionamos já aconteceu. Hoje estamos do lado de cá da cruz, não o lado de lá.

Mas não, porque Jesus ainda está “dominando os seus inimigos” (1 Coríntios 15.23-28), e nós, como a sua igreja, fazemos parte deste processo (Efésios 1.22-23, 3.10). Então, sim, o aviso de João ainda é pertinente para nós hoje.

O que devemos fazer? Qual é o nosso papel diante da ação às vezes dolorosa e julgadora de Deus de estabelecer a sua autoridade na nossa história e no nosso mundo?

O que devemos fazer? O que devo, eu, fazer? E o que você deve fazer?

Medite nisto e nas respostas que João deu para os seus ouvintes (ou seja, continue lendo o Evangelho).
Oração
Pai Eterno, o que eu devo fazer? Por favor, me conceda a coragem e a fé de fazê-lo. Em nome de Jesus. Amém.

Um Filme para Sexta-Feira Santa | Voltemos Ao Evangelho

Um Filme para Sexta-Feira Santa | Voltemos Ao Evangelho

segunda-feira, 2 de abril de 2012

IBR.


UMA HOMENAGEM
A IGREJA BATISTA RENOVADA em itaparica
IBR : Pr Moisés Endringer
A Igreja é formidável porque está fundamentada na pessoa de Cristo. (Mt 16 v.18) Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
 A Igreja é formidável porque o poderio do Inferno não pode detê-la. (MT 16 v.18) Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
Porque Ela é sem Igual.
  1. Porque é a única instituição em  que todas  as pessoas são importantes. 
“Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo”.(I Co 12.12)
Na Igreja todos nós somos Servos de Cristo.
Porque a sua mensagem é transformadora. 
Sua mensagem nos liberta da tirania do Pecado e da morte.
Porque seus valores são eternos. 
“Para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a Igreja do Deus Vivo, coluna e baluarte da verdade”.(I Tm 3.15)
  • A verdade da Igreja é a Palavra viva de Deus.
  • A Igreja é uma comunidade Terapêutica onde prevalece o Amor e o Perdão e a Salvação em Cristo Jesus.
  • Amo a muinha igreja, OBRIGADO DEUS POR ELA EXISTIR .
  • Joel Wilkerson:




Um estudo sobre a origem da Páscoa


Um estudo sobre a origem da Páscoa


1. o ritual ou celebração da primeira festa do antigo calendário bíblico (Ex 12.11,27,43,48);
2. a vítima do sacrifício, isto é, o cordeiro pascal (Ex 12.21; Dt 16.2,5-6).

Na Bíblia, o nome de uma pessoa ou instituição é sempre um dado importante para se conhecer o que eles são e o que representam. O nome não é um simples rótulo, uma etiqueta ou uma fachada publicitária, mas ele exprime a realidade do ser que o carrega e representa. Assim é o nome “páscoa”.

O substantivo pesah/páscoa vem da raiz verbal psh que aparece três vezes nos relatos pascais (Ex 12.13,23,27; ler também Is 31.5; 1 Rs 18.21,26). Assim, o verbo pasah passar por cima, saltar por cima é o significado que prevalece nos usos deste termo pelos escritores e escritoras da Bíblia. O Prof. Luiz Roberto Alves assim definiu o termo pesah/ páscoa: “O verbo que dá base ao substantivo pesah tem o sentido de salto, movimento, caminhada, travessia. Todas as palavras têm história e essa história corresponde às ações dos homens e mulheres. Os hebreus juntaram à idéia do pesah vários
acontecimentos ligados à idéia de travessia” (Expositor Cristão, 2a. Quinzena, 1984,p. 12).

A origem da Páscoa

Falar de origem da Páscoa é entrar no campo das suposições, pois não há dados suficientes que ajudam a esclarecer sobre essa celebração no período pré-mosaico. Todavia, os textos do Antigo Testamento fornecem indicações que a Páscoa, em suas origens, foi um ritual ou cerimônia que incluía as seguintes características:

a) O ritual era realizado no seio da família ou clã; não tinha altares, santuários e sacerdotes ou qualquer influência do culto oficial;
b) Era celebrado por pastores nômades ou seminômades;
c) O ato central desse ritual era o sacrifício de um jovem animal do rebanho de cabras ovelhas;
d) A cerimônia ocorria no fim da primavera e início do verão (mês de abril), numa noite de lua cheia;
e) O ritual da celebração pascal incluía as seguintes etapas:
- Retirava-se o sangue do animal,
- Ungia a entrada das cabanas com o sangue do animal,
- Assava a carne do animal,
- Com a carne assada, fazia um grande banquete para a família reunida,
- O banquete oferecido incluía a presença de pães ázimos ou asmos, ervas amargas nascidas no deserto,
- A celebração da Páscoa exigia dos participantes desse ritual as seguintes
posturas:

Ter uma atitude de marcha e pressa,
Usar vestimenta para viagem,
Ter as vestes amarradas na cintura,
Atar as sandálias nos pés,
Ter o cajado de pastor na mão.

f) Parece que o objetivo dessa cerimônia era pedir proteção divina, para a família e o seu rebanho de animais menores contra o exterminador (no hebraico, maxehit – Ex 12.13, 23) ou saqueador, bando de destruição (1 Sm 13.17; 14.15; Pr 18.9). O exterminador maxehit pode ser qualquer tipo de agressor, desgraça, enfermidade, peste ou acidente que poderia ocorrer com qualquer membro da família ou os seus animais.
g) Provavelmente, esse ritual foi celebrado por Abraão, Isaac e Jacó, pois eles eram pastores. A cada ano, na primavera, quando o vento quente do deserto, anunciando o verão, atingia e queimava as parcas pastagens das ovelhas, os pastores, suas famílias, bem como os seus rebanhos eram obrigados a buscar outros lugares para dar de comer as suas ovelhas.

A Páscoa celebrada pelos israelitas: da sedentarização até o início da Monarquia (1200 – 1040 a.C.).

Evidentemente que o sistema de vida dos israelitas mudou substancialmente após a chegada a Canaã.

a) O povo israelita deixou de ser semi-nômade e deu início ao processo de sedentarização. Paulatinamente, o povo foi se tornando agricultor, embora parte dele continuou na vida pastoril, especialmente, as clãs que permaneceram vivendo nas localidades periféricas do território da terra de Israel.
b) Ao se fixar nas terras agrícolas, os israelitas aproximaram-se dos cananeus. Foi aí que o povo do êxodo conheceu algumas festas relacionadas ao mundo agrícola. Entre essas instituições estão as festas agrícolas, como Ázimos, Semanas e Colheitas.
c)Foi nesse período de difícil adaptação que se dá a integração da Festa dos Pães Ázimos e a Páscoa. As duas celebrações ocorriam no mesmo período.
d) No período entre a chegada do povo israelita à Canaã e a sedentarização ocorreu uma profunda transformação no significado da Páscoa.

* O conteúdo e a forma da cerimônia da primitiva da Páscoa já não respondem as condições de vida atuais do povo israelita. Exigiam-se modificações.
* Apesar da Páscoa manter boa parte de seu antigo ritual, o povo israelita procurou encontrar outros motivos para a celebração.
* A cerimônia continuou a ser celebrada em família, mas a Páscoa deixou de ser um ritual ligado à troca de favores divinos, para tornar-se uma memória da ação de Deus, salvando o povo hebreu da escravidão.

e) O mais primitivo ritual da Páscoa encontra-se em Êxodo 12.21-28.

Estudo Bíblico: Ex 12.21-28
I. Instrução de Javé para Moisés e Aarão – v. 21-27a.
1. Introdução: Moisés convocou todos os anciãos de Israel e disse-lhes:
2. A instrução para a missão de Moisés e Aarão – v. 21b-27a.
2.1. Instruções para a Páscoa – v. 21b-22

Tirai,
Tomai um animal do rebanho segundo as vossas famílias e
Imolai a Páscoa.
Tomai alguns ramos de hissopo,
Molhai-o no sangue que estiver na bacia, e
Marcai a travessa da porta e
os seus marcos com o sangue que estiver na bacia;
Nenhum de vós saia da porta de casa até pela manhã

2 – Razão para celebrar a Páscoa – v. 23
e Javé passará para ferir os egípcios;
e quando Ele vir o sangue sobre a travessa,
e sobre os dois marcos,
Ele passará adiante dessa porta,
e Ele não permitirá que o exterminador entre em vossas casas para vos ferir.

3 – Ordem para a celebração da Páscoa – v. 24-25
Observareis esta determinação como um decreto para vós
e para vossos filhos, para sempre.
Quando tiverdes entrado na terra que Javé vós dará, como disse,
Observareis este rito.

4 – Explicação sobre a festa e o significado no nome ´páscoa` – v. 26-27a.
Quando vossos filhos vos perguntarem: “Que rito é este?”
Respondereis:
“É o sacrifício da Páscoa para Javé
que passou adiante das casas dos filho
Então o povo se ajoelhou
e se prostrou.
Foram-se os filhos de Israel
e fizeram isso, como Javé ordenara a Moisés e a Aarão,
assim fizeram.

Comentando:

A forma literária com a qual este ritual foi elaborado é perfeita.

Primeiro, o texto mostra Moisés convocando os anciãos do povo, a mando de Javé (conforme Ex 12.1), para preparar a festa da Páscoa (v. 21b-22).

Segundo, Moisés instrui, com detalhes, os anciãos para preparar os elementos que comporiam o ritual (v.21b-22).

Terceiro, Moisés fornece as razões para aquele ritual, bem como o uso do sangue de uma ovelha e o hissopo (planta aromática – Nm 19.6; Sl 51.9): o motivo da festa é afugentar o medo do vento exterminador que ameaça as casas do povo hebreu (v. 23).

Quarto, a ordem para celebrar a Páscoa tem uma dimensão profética. A Páscoa vai além da contagem do tempo humano, cronológico. A celebração não encerra um simples agradecimento, pela libertação da escravidão e a concessão da terra para morar, criar a família e plantar para obter o alimento. A celebração possui a dimensão profética da contínua presença salvadora de Deus junto ao seu povo. Jesus captou essa amplitude da celebração quando disse: “Fazei isso em memória de mim… até que Ele venha” (1 Co 11.24b e 26b).

Quinto: os versos 26-27a providenciam a explicação do nome “Páscoa” para as gerações e gerações de salvos da escravidão. Com isso, o texto bíblico quer mostrar que essa celebração da Páscoa possui uma novidade. Ela não é mais dominada pelo medo do Faraó ou dos outros possíveis “exterminadores” que possam haver nos caminhos do povo de Deus. A celebração da Páscoa, do povo liberto e instalado na terra de Canaã, passa a ser marcada pela alegria e certeza da presença de Deus entre o povo liberto e salvo.

Sexto: os versos 27b-28 assinalam o cumprimento da ordem divina para celebrar a Páscoa.

Observações

(1) A prescrição sobre a celebração da Páscoa (Ex 12.21-28) é legitimada pelo editor do livro de Êxodo. Assim, o cabeçalho deste capítulo (Ex 12.1) afirma que a prescrição da Páscoa (12.21-28) é autorizada por Javé. Eis a sua lógica:

1. Javé comunica a Moisés e Aarão;
2. Moisés e Aarão ouvem as ordens de Javé;
3. Moisés e Aarão obedecem e comunicam aos anciãos de Israel.

(2) A celebração continuava a ser celebrada em família. A Bíblia ensina que a família constitui o fundamento para o projeto de sociedade que Deus propõe para a humanidade.

(3) Foram mantidos vários elementos na celebração: ovelhas e ramos de hissopo (erva aromática). Evidentemente que houve algumas modificações, em razão da nova situação de vida do povo, agora, vivendo em Canaã.

(4) Todavia, a antiga Páscoa foi “relida” e “re-significada”. O antigo culto dos pastores semi-nômades possuía a função de controlar as forças da natureza. Por exemplo, os povos anteriores aos hebreus acreditavam que oferecendo em sacrifício o filho primogênito, poderia controlar a bênção e a ira divina. Como na cerimônia da primitiva páscoa, os pastores acreditavam que poderiam amenizar a ira divina do “vento destruidor”.

(5) Na verdade, o povo bíblico tomou antigos costumes dos povos vizinhos e os converteu em instrumentos de preservação e ensino da fé. No caso da Páscoa, o povo bíblico tomou uma cerimônia pagã, que girava em torno de uma magia, e a transformou em um sinal da presença salvadora de Javé. Em outras palavras, a nova celebração da Páscoa mostra que a fé não é um dado doutrinário ou mágico, mas um gesto história de Javé.

IV – Da sedentarização do povo de Israel ao período monárquico.

Após os acontecimentos que envolveram a saída do Egito – a difícil caminhada pelos desertos, os muitos “sinais e maravilhas” realizados por Javé e o cumprimento da promessa de “uma terra que mana leite e mel” – o povo bíblico juntou à idéia da Páscoa aos acontecimentos acima descritos. A Páscoa dos nômades deixou de ser uma cerimônia mágica que procurava afugentar o medo do “exterminador”, que se supunha estava próximo, para se tornar uma afirmação concreta da plena liberdade que Javé dá.

* Foi nesse momento que o povo bíblico tomou consciência que a sua fé em Javé não era uma formalidade a mais entre os povos do Antigo Oriente. Javé não é definido pelo seu ser, mas pela sua atuação na história: Ele ouviu o grito angustiado dos/as escravos/as do Egito e providenciou os meios para a libertação deles (Ex 3-4);
* A celebração da Páscoa, agora reformulada e “re-significada”, passa afirmar que a fé bíblica é histórica, e que tem seu fundamento nos acontecimentos salvíficos relatados nos livros de Êxodo, Números e Deuteronômio, especialmente;

O outro ritual da Páscoa, relatado em Êxodo 12.1-14, provavelmente, representa a segunda forma litúrgica mais primitiva, entre todas incluídas no Antigo Testamento. Ao tornar-se sedentário, o povo de Israel mudou substancialmente seu sistema de vida:

* de escravos tornaram-se livres;
* de pastores tornaram-se agricultores;
* de semi-nômades tornaram-se sedentários.
* A história da salvação do Egito não é ensinada, nas casas e nos cultos, como uma doutrina, mas como um fato histórico, isto é, um milagre de Deus ocorrido na história de seus pais;
* A fé em Javé, através da celebração da Páscoa, tornou-se uma força transformadora;
* do medo à coragem;
* da magia a atos concretos da atuação de Javé;
* da escravidão à liberdade.
* O nome da festa, pesah saltar – o saltar do vento destruidor, demoníaco – passa significar, em conexão com a história de libertação dos hebreus, passar por cima de, saltar para a liberdade;
* O sacrifício de um cordeiro deixa de ser um simples sacrifício de sangue para se tornar uma memória dos atos salvíficos de Javé. Por isso, a celebração da Páscoa passa a ser prescrita como “um Páscoa para Javé”.

V – A Páscoa no período monárquico.

* Há silêncio sobre a celebração da Páscoa, exceto o profeta do Reino do Norte Oséias que critica o povo pela ausência da celebração Os 12 ).

VI – Da celebração caseira para a cerimônia no Templo de Jerusalém.

O rei Josias (642-609 antes de Cristo) empreendeu uma ampla reforma no Reino de Judá (O Reino de Israel já tinha sido destruído em 722 a.C.).

* Por determinação do rei Josias, a Páscoa passou a ser celebrada, oficialmente, no Templo, em Jerusalém (Dt 16.1-8);
* A reforma equipara a Páscoa a uma festa de peregrinação (ver a coleção “Salmos das Subidas” (Sl 120-134);
* O gado maior (boi ) passa a ser admitido como vítima para o sacrifício;
* Surgiu a permissão para cozer a vítima, em lugar de assá-la;
* A memória do êxodo do Egito continuou sendo o motivo principal da celebração.

VII – A Páscoa no exílio babilônico (598-537 anos antes de Cristo)

Durante o exílio na Babilônia, o povo exilado desenvolveu a esperança de que Javé poderia libertar, de novo, Israel. Este tema é muito abordado pelo profeta anônimo do exílio, cujas palavras foram editadas no livro de Isaías, capítulos 40 a 55.

* Desaparece a atividade cultual no Templo (destruído em 587 a.C.). Surge a Sinagoga e cresce a produção literária;
* Volta o sacrifício da rês menor (ovelhas e cabras);
* A celebração volta para a família e o ritual de sangue volta a ter o sentido de símbolo da defesa contra o “exterminador”;
* Percebe-se pequenas variações na celebração:

1. não jogar fora algumas partes do animal sacrificado;
2. não quebrar os ossos do animal sacrificado;
3. permissão para celebrar a Páscoa no 2o. mês para quem não pôde sacrificar no 1o. mês (Nm 9.1-14);
4. passou a ser permitida a participação de estrangeiros.

* Começou aparecer uma distinção entre Páscoa e Ázimos, como celebrações distintas:

Festa dos Ázimos: nos dias 1 a 7 do primeiro mês do ano;
Festa da Páscoa: no dia 14 do mesmo mês.

VIII – Páscoa no período Grego

* Os livros de 1 e 2 Crônicas e Esdras indicam que a Páscoa preservou alguma cerimônia para o Templo, mas a refeição pascal foi mantida no templo;
* O gado maior foi readmitido como parte da cerimônia;
* A carne deve ser assada e não cozida;
* O leigo executa o ritual de sangue (2 Cr 30.21; 35.11);
* Páscoa e Ázimos voltam a integrarem-se;
* O levita passa a ter um papel relevante na celebração;
* A música passa a ser parte da celebração;
* O copo de vinho passa a ser parte da cerimônia;
* A Páscoa retornou ao Templo como parte do culto oficial, mas preservou-se a refeição para o ambiente familiar.

Resumindo

1. A Páscoa pré-mosaica é marcada pelo medo do exterminador maxehit. O ritual tinha algo de “magia” para afugentar os males. É bom lembrar que, nessa época, o povo sacrificava os primogênitos recém-nascidos para ganhar favores divinos (conforme Gn 22);
2. O povo bíblico tomou todos os costumes e práticas pagãs e os passou pelo crivo da fé javista. Tanto no sacrifício dos primogênitos (Gn 22), como no ritual da Páscoa, o povo bíblico converteu tais cerimônias às práticas e confissões de fé javistas. Em ambas situações, o medo prendia as pessoas e forçava-as a praticarem cerimônias inúteis e criminosas. Foi Javé quem abriu os olhos do povo bíblico. Este se tornou um missionário entre as nações para anunciar as boas novas: “Não temais! Eis que vos trago uma boa nova que será para todo o povo” (Lc 2.10). A Páscoa anuncia o fim do medo e, conseqüentemente, a confirmação da confiança em Deus.
3. A celebração da Páscoa não é uma cerimônia de nostalgia do passado; não é uma festa da saudade onde heróis e heroínas são lembrados/as por seus atos de valentia; também não é um ritual que procura romantizar o passado, lembrando e homenageando certas figuras da história.
4. Na Bíblia, dois verbos sobressaem-se: “lembrar” e “esquecer”. Quando a Bíblia apela para que o povo lembre dos grandes atos de Javé (conforme Ex 13.3), ela está procurando construir o futuro da nação. A memória dos grandes atos salvíficos de Deus mobiliza a fé da sociedade e fortalece o povo para esperar as boas novas do Reino de Deus. Esquecer o que Deus fez e faz significa a tragédia da humanidade.
5. Celebrar a Páscoa é resgatar os atos salvíficos de Deus no passado, acreditando que Ele possa fazer o mesmo, entre nós, no dia de hoje. A memória do passado salvífico – seja da libertação no Egito, seja da vida e obra de Jesus Cristo – restaura as forças dos/as crentes celebrantes para o testemunho.
6. Na verdade, a memória carrega o sentido de redenção, seja dos atos salvíficos de Deus, através da história, bem como a redenção das causas justas do passado. Assim, a memória resgata tanto a vida e obra de Jesus como a luta dos pobres pela dignidade de viver. Pela memória, redimimos o desejo e a luta deles. Assim, se esquecermos os desafios do povo de Deus no Antigo Testamento, os ensinos de Jesus Cristo ou os anseios justos do povo fiel, pomos a perder o sentido desses projetos. A intenção da celebração da Páscoa afirmar que cada geração de celebrante tem o dever de pôr em prática os verdadeiros e justos projetos das gerações do passado.