quinta-feira, 12 de julho de 2012

O Perigo de Cair da Graça


quinta-feira, 12 de julho de 2012

O Perigo de Cair da Graça

É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento. (Hb 6:4-6)

Todo crente em Jesus tem a salvação (1 Jo 5:13). Será possível um cristão regenerado perdê-la? De acordo com o trecho da carta aos Hebreus, sim. Muitos são os que tentam jogar “panos quentes” e abrandar a severidade das palavras de Hb 5:11-6:20, fazendo parecer que o autor não se referia a cristãos verdadeiros, mas a simpatizantes do evangelho, gente que nunca foi regenerada. Todavia, um exame sério deste texto não nos permite acreditar em tal falácia. De outro lado, Satanás tem usado esse texto, através de gente não instruída, para desanimar e oprimir cristãos fracos na fé, que caíram em pecado, fazendo-os acreditar que não têm mais o perdão de Deus. Precisamos tomar cuidado! De que pecado Hebreus seis trata? Se pudermos perder a salvação, em que situação se dá? É o que veremos.
COMPREENDENDO A MENSAGEM
No último capítulo de Hebreus (13:22), o autor roga aos leitores que escutem as palavras de sua carta, que ele chama de palavra de exortação (NVI), ou mensagem de encorajamento (KJV). É interessante como se desenrola o argumento de Hebreus. Em várias passagens, existem advertências sobre virar as costas para a fé que se havia abraçado, acompanhadas de um encorajamento para que se permaneça fiel até o fim. É exatamente isso que acontece no trecho que iremos analisar. Os crentes haviam crido pela pregação de testemunhas oculares de Cristo, haviam suportado dificuldades por causa do evangelho (Hb 10:32-34), mas estavam correndo o perigo de abandonar a fé. Foram, então, encorajados a ficar firmes. Neste trecho, o autor trata de três assuntos importantíssimos.
1. Infância espiritual prorrogada: Em Hb 5:11, o autor interrompe o assunto do sacerdócio de Cristo abruptamente, para fazer uma advertência aos seus leitores: A esse respeito temos muitas cousas que dizer, e difíceis de explicar, porquanto vos tendes tornado tardios em ouvir. Essa é uma advertência com relação à atitude daqueles cristãos diante da palavra de Deus. Eles haviam se tornado “preguiçosos” no seu “apetite e compreensão espiritual”. [1] Desta forma, mencionar a ordem sacerdotal de Jesus, a de Melquisedeque, assunto que o autor iria começar a tratar (Hb 5:10), poderia causar estranheza. Ele não tinha certeza de que seus leitores entenderiam; não sabia se seriam maduros o suficiente. Por isso, fez uma pausa com o tema, a fim de fazer algumas afirmações, e só voltaria ao tema do sumo sacerdócio no capítulo sete.
Neste meio tempo, o autor fez o alerta sobre o perigo de se estacionar na vida espiritual e apresenta possíveis consequências. [2] Um destes perigos é o do prorrogamento da infância espiritual. Enquanto deveriam ser mestres, podendo ensinar a outros, tinham a necessidade de ser ensinados, novamente, sobre os princípios elementares dos oráculos de Deus (Hb 5:12). A expressão “oráculos de Deus” deve ser entendida como o ensino básico do evangelho, “porque é usada em conjunto com ‘princípios elementares’ (stoicheia), palavra comumente usada para descrever o A.B.C. de uma coisa”. [3] Esses crentes voltaram a ser “crianças espirituais”, a ponto de o escritor dizer que estavam precisando de que se soletrasse o bê-á-bá da fé novamente; estavam precisando de leite e não de alimento sólido (Hb 5:13).
Ao invés de avançarem em seus conhecimentos e em sua prática da palavra de Deus, esses cristãos estavam precisando de uma atualização do ABC do evangelho. E o que mais chama à atenção é que eles não eram recém-convertidos; ao menos o v.12 sugere que não. Não foi a falta de tempo que os deixou assim, mas a falta de aplicação e esforço para amadurecerem no conhecimento bíblico. No v. 14, somos informados de que o alimento sólido, ou seja, as verdades cristãs profundas são reservadas para os adultos. Quem é adulto espiritualmente sabe discernir entre o bem e o mal (v. 14), entre o que honra a Deus e o que o desonra; entre o que é da vontade de Deus e o que não é. Discernimento é sinal de maturidade. Diante disso, o autor os exorta a colocarem os assuntos elementares da doutrina de Cristo à parte e avançarem para a maturidade (6:1): ... deixemo-nos levar para o que é perfeito.
“Pôr de lado” não é abandonar ou desprezar, mas entender que as primeiras lições são isto mesmo: “primeiras”. As doutrinas elementares não são o ponto final, mas uma porta para o progresso espiritual. Perceba que o autor se inclui nessa caminhada. Ele não se gaba de ter atingido a maturidade nos assuntos espirituais. Todavia, não estava lento para ouvir, mas estava em busca do que é perfeito (maturidade). Maturidade espiritual não é algo que se consegue com esforço próprio. A forma passiva do verbo, no grego, aponta para a “entrega a uma influência mais nobre, como se o processo de maturação não fosse uma questão da nossa engenhosidade”. [4] É preciso depender de Deus, fazer a nossa parte e depender dele.
2. Perigo catastrófico pronunciado: Depois da exortação para que os leitores avançassem em maturidade, o autor de Hebreus anuncia um perigo real e catastrófico: a apostasia. A “lerdeza espiritual” pode “levar a que um cristão perca definitivamente tudo aquilo que lhe foi dado através de Cristo”. [5] Pelo texto, ninguém é identificado como tendo cruzado a linha fatal e caído (Hb 6:9). A vida ainda não havia se apagado. Mas havia algo que esses cristãos vacilantes e imaturos precisavam saber, e o autor os alerta sem titubear: é impossível um cristão genuíno que se apostatar ser outra vez renovado para o arrependimento (cf. Hb 6:4-6). Analisemos este perigo catastrófico.
Em primeiro lugar, é bom notarmos que o texto está se referindo a crentes verdadeiros e não a meros professos cristãos. Suas características, segundo a passagem em questão, são: 1) foram iluminados (Hb 6:4a), isto é, foram despertados pelo Espírito Santo sobre seus pecados e sua necessidade de salvação (Jo 16:8); 2) provaram o dom celestial (Hb 6:4b). O “dom celestial” está ligado à ideia de “dom da graça de Deus” (Rm 5:15; Ef 3:7), que diz respeito à abrangência da totalidade das bênçãos da salvação. Essas pessoas “provaram” esse dom, ou seja, desfrutaram, de maneira real e consciente, as bênçãos da salvação; 3)tornaram-se participantes do Espírito Santo (6:4c). A palavra “participantes” é a tradução do grego metóchys, que significa, também, “associado, companheiro”. O autor de Hebreus está se referindo a gente que recebeu o Espírito e viveu em harmonia com ele durante um tempo.
Além dessas características, essas pessoas também 4) provaram a boa palavra de Deus (6:5a), isto é, conheceram, por experiência própria, os benefícios da palavra de Deus (KJV). Eles sabiam disso, porque, por muito tempo, viveram imersos na experiência cristã. [6] Por fim, também 5) provaram os poderes do mundo vindouro (6:5b). No presente, essas pessoas já experimentavam as alegrias da salvação futura. Todas estas experiências são vivenciadas por cristãos regenerados, e não podemos admitir o contrário. O texto está se referindo a crentes verdadeiros e não a meros simpatizantes. Em segundo lugar, precisamos admtir que cristãos genuínos podem “cair” (Hb 6:6) e perder sua salvação. Mas o que significa “cair”?
É bom sabermos que não é uma referência a pecar, de modo geral. Apesar de não fazer do pecado um estilo de vida (1 Jo 3:6,9), mesmo depois de convertido, o cristão peca (1 Jo 1:8). Todavia, pode confessar-se (1 Jo 1:9), pois tem um advogado (1 Jo 2:1). “Cair” não é cometer adultério ou qualquer outro deslize moral, nem pode ser identificado com aqueles momentos de fraqueza na vida cristã.
“Cair”, então, é uma referência à apostasia e “envolve negar a Cristo após ter experimentado sua graça e sua salvação (frequentemente abraçando outra religião, como por exemplo o judaísmo, o budismo, o ateísmo, etc.)”. [7] Diz respeito a repudiar a salvação recebida em Cristo. A quem cai na apostasia, é impossível outra renovação para que se arrependa (Hb 6:6). É impossível, não porque Deus não tenha poder ou não queira salvar, mas porque quem repudia a Cristo, ultraja a graça. Então, o Espírito Santo, o único que pode convencer um pecador de seu pecado, já não contenderá com tal pessoa. Retira-se para nunca mais voltar. Daí a impossibilidade do perdão. O apóstata chega a um estado de coração e de vida que não lhe possibilita o arrependimento. Se alguém passou um tempo fora da igreja e voltou, é sinal de que não chegou a se tornar apóstata. A apostasia é uma ruptura completa de relação com Jesus. Não é o resultado de uma decisão rápida, “mas de um processo de endurecimento gradual dentro da mente que se cristalizou agora em uma ‘atitude constante de hostilidade a Cristo’”. [8] Quem envereda por esse caminho, está crucificando novamente para si o Filho de Deus e expondo-o à vergonha (Hb 6:6b). Nos vv. 7-8 do capítulo 6, o autor ilustra a verdade que acabou de apresentar, comparando os apóstatas a uma terra inútil.
3. Esperança segura proclamada: O cenário descrito em Hb 6:4-8 não representava a realidade de nenhum dos cristãos hebreus. O autor fez a advertência, mas estava convencido de que os hebreus, embora cambaleantes, viviam situação muito melhor, sendo beneficiados com as bênçãos da salvação (v. 9). Embora a apostasia fosse um perigo real, ninguém havia atingido esse estágio. Na verdade, o propósito desse trecho é encorajar. O escritor de Hebreus quer que seus leitores permaneçam firmes na fé, mostrando até o fim a mesma diligência (6:11). Por isso mesmo, ele termina o capítulo lembrando-os de verdades gloriosas.
O autor lembra aos cristãos que Deus é justo. Mesmo cambaleando na fé, eles continuavam a servir os santos (v. 10). Isso é impressionante! Mesmo passando por um período de esfriamento de sua vida cristã, num momento de incertezas, esses cristãos nunca deixaram de servir outras pessoas. Diante disso, eles são informados de que Deus não é injusto para ficar esquecido do (...) trabalho deles e do amor que evidenciavam para com seu nome (v. 10). Deus não esquece e nem despreza o nosso serviço ao próximo. Conforme já dissemos, o profundo e intenso desejo do escritor dessa epístola é que seus leitores progredissem e se agarrassem cada dia mais à “certeza da esperança” (v. 11b). A razão de ele ter esse desejo é que a atração pelo judaísmo talvez os estivesse despojando da alegria dessa certeza. [9]
Qual a razão de terem a plena certeza da esperança? Ele responde: ... para que não se tornem indolentes, mas imitadores daqueles que pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas (v. 12). Se eles deixassem de ser diligentes para a eterna certeza da esperança, poderiam tornar-se indolentes. Essa esperança é a confiança na palavra e nas promessas de Deus. Ela será completa com a volta do Senhor Jesus (Hb 9:28). O autor segue seu argumento apresentando o exemplo de Abraão (Hb 6:13-17). Ele usa a figura do patriarca, que obteve a promessa, para mostrar mais firmemente àqueles cristãos que as promessas de Deus são imutáveis e plenamente confiáveis. Abraão esperou com paciência e a alcançou. Na sequência do texto, somos informados de que é impossível que Deus minta. Então, aqueles que já correram para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança, tem forte alento (v. 18). O Senhor Jesus é nosso refúgio e nossa esperança, assim como era para aqueles cristãos.
Essa esperança é âncora segura e firme (v. 19). A figura da âncora é fabulosa. Seu “serviço é permanecer fixa no fundo mar sejam quais forem as condições marítimas. De fato, quanto mais violento o tempo, tanto mais importante é a âncora para a segurança”.10 A âncora é um símbolo ideal para a esperança cristã. Os leitores de Hebreus precisavam lembrar-se disso e agarrar-se a essa esperança. O autor da carta termina informando-os que essa esperança penetra além do véu, aonde Jesus, como precursor, entrou por nós (v. 19-20). É interessante a palavra “precursor”. A imagem é a de um soldado, membro do corpo de reconhecimento de um exército, que vai à frente para assegurar que os que vêm depois sigam em segurança. O que Jesus fez, fez por nós, para que pudéssemos também chegar à presença de Deus. Saber disso é um encorajamento para continuarmos ao lado dele.
APLICANDO A PALAVRA DE DEUS EM NOSSA VIDA
Não nos descuidemos da nossa maturidade - Muitos cristãos hebreus estavam cambaleando, correndo o risco de se apostatar, porque não deram o devido valor ao crescimento espiritual. Tornaram-se “preguiçosos” para aprender a palavra de Deus. Estavam vivendo uma infância espiritual prolongada. O problema de não amadurecermos como cristãos é que podemos regredir. Ninguém se torna apóstata do dia para noite. Apostasia é um processo. Pouco a pouco a pessoa vai perdendo o interesse pela palavra de Deus e pelo Deus da palavra. Pouco a pouco a oração torna-se dispensável. Pouco a pouco a comunhão cristã começa a não fazer sentido. Daí, estaremos a um passo do precipício: repudiar e depreciar a Cristo e a salvação oferecida por ele. Por isso, não descuidemos de nosso crescimento espiritual, apeguemo-nos, com firmeza, às verdades ouvidas (Hb 2:1), e avancemos para a maturidade (Hb 6:1 – NVI).
Não nos desapeguemos da nossa esperança - A igreja de Cristo é uma comunidade de gente que tem esperança. Esperamos que Cristo apareça pela segunda vez (Hb 9:28); esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça (2 Pd 3:13). Esperamos o triunfo final do reino de Cristo e seu total estabelecimento. As nossas esperanças devem fazer-nos seguir em frente, caminhar até o fim, de modo que não nos tornemos negligentes, mas imitemos aqueles que, por meio da fé e da paciência, recebem a herança prometida (Hb 6:12). Lembrar a esperança proposta foi o que fez o autor de Hebreus no final do capítulo 6, para que qualquer desejo que houvesse de abandonar Cristo fosse deixado de lado. Ele os encorajou a permanecerem firmes baseado nas promessas de Deus para seus filhos. Nos tempos de fraqueza e de “baixa espiritual”, lembre-se disto: você é um herdeiro de promessas gloriosas. Você já tem o refúgio seguro de Cristo no presente (Hb 6:18) e terá mais presentes gloriosos no futuro.
CONCLUSÃO
Todo aquele que entregou sua vida a Cristo com sinceridade foi regenerado, justificado, adotado; tornou-se habitação do Espírito Santo , um crente em Jesus, e ganhou a vida eterna (1 Jo 5:13). É um salvo. A única maneira de ele perder essa bênção é se apostatando. A apostasia é um perigo real (Hb 6:4-8); é a quebra total da relação com Cristo; é o repúdio à salvação recebida dele. Há um processo até que se chegue a ela. Quem chega a esse estado, endurece tanto o coração que não pode mais ser renovado para o arrependimento. Por isso, um momento de fraqueza ou de desânimo na vida espiritual não é apostasia. Quem passa por isso, pode reacender de novo o ânimo e praticar as primeiras obras.
Apostasia é mais grave.
Que o Senhor guarde o seu povo.

Bibliografia:
1. TAYLOR, Richard S. (et al). Comentário Bíblico Beacon: Hebreus a Apocalipse. Vol. 10. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. Pág. 55
2. BOYD, Frank M. Gálatas, Filipenses, 1 e 2 Tessalonicenses e Hebreus. 6 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. Pág. 136
3. GUTHRIE, Donald. Hebreus: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1983. Pág. 127
4. GUTHRIE, Donald. Hebreus: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1983. Pág. 129
5. LAUBACH, Fritz. Carta aos Hebreus: Comentário Esperança. Curitiba: Esperança, 2000. Pág. 99
6. GUTHRIE, Donald. Hebreus: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1983. Pág. 134
7. ARRINGTON, French; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003. Pág. 1576
8. ARRINGTON, French; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003. Pág. 1575
9. GUTHRIE, Donald. Hebreus: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1983. Pág. 140
10. GUTHRIE, Donald. Hebreus: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1983. Pág. 144

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Eleição divina, a escolha da graça


segunda-feira, 9 de julho de 2012

Eleição divina, a escolha da graça


Por Rev. Hernandes Dias Lopes

Na igreja protestante, há dois segmentos: o Calvinismo e o Arminianismo. O Calvinismo enfatiza a eleição divina; o Arminianismo o livre arbítrio humano. O Calvinismo ensina que Cristo morreu para efetivar nossa salvação; o Arminianismo ensina que Cristo morreu para possibilitar a nossa salvação. Para um arminiano Deus escolhe o homem para a salvação, quando este crê; para um calvinista o homem crê porque foi escolhido. Vamos, examinar, agora, à luz de Efésios capítulo 1, versículo 4, a doutrina da eleição: “Assim como nos escolheu, nele, [em Cristo], antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele…”.

Em primeiro lugar, o autor da eleição. Deus é o autor da eleição e não o homem. Foi Deus quem nos escolheu e não nós a ele. Na verdade, jamais poderíamos escolher a Deus. Estávamos mortos em nossos delitos e pecados. Éramos ímpios, fracos, pecadores e inimigos de Deus. Por isso, a escolha de Deus é incondicional. Deus não nos escolheu por causa dos nossos méritos, mas apesar dos nossos deméritos. Deus não nos escolheu porque éramos bons, mas apesar de sermos maus. Deus não nos escolheu porque cremos em Cristo; cremos em Cristo porque Deus nos escolheu (At 13.48). A fé não é causa da eleição, mas seu resultado. Deus não nos escolheu porque éramos santos; Deus nos escolheu para sermos santos. A santidade não é causa da eleição, mas sua consequência. Deus não nos escolheu por causa da nossas boas obras; Deus nos escolheu para as boas obras. Somos feitura de Deus, criados em Cristo Jesus para as boas obras.

Em segundo lugar, o tempo da eleição. O apóstolo Paulo diz que Deus nos escolheu antes da fundação do mundo. Não havia em nós qualquer mérito que justificasse essa escolha, uma vez que Deus colocou o seu coração em nós antes de nós colocarmos nosso coração nele. Sua escolha foi livre, soberana, incondicional e cheia de graça. Ele não deixaria de ser Deus pleno e feliz em si mesmo se não tivesse nos escolhido. Mas, ele, por amor, nos amou com amor eterno e nos atraiu para si com cordas de amor. E isso, desde os refolhos da eternidade. Ainda não havia estrelas brilhando no firmamento. Ainda os anjos de Deus não ruflavam suas asas cumprindo as ordens suas ordens. Ainda o sol não havia dado a sua claridade, e Deus já havia nos amado e nos escolhido para a salvação.

Em terceiro lugar, o agente da eleição. O apóstolo Paulo diz que Deus nos escolheu em Cristo. Ele é o amado de Deus, o escolhido do Pai. Nele somos amados. Nele somos eleitos. Nele somos perdoados. Nele somos remidos. Nele somos salvos. Não há salvação fora de Cristo. Não há nenhum outro nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos. Jesus é único caminho para Deus. Ele é o único Mediador entre Deus e os homens. Jesus é a porta do céu. Não há eleição fora de Cristo. Vivemos pela sua morte. Somos purificados do pecado pelo seu sangue. O mesmo Deus que escolheu nos salvar, elegeu também nos salvar por intermédio de Cristo. Ninguém pode ser salvo e ninguém pode confirmar sua vocação e eleição, a menos que se renda a Cristo e o confesse como Salvador e Senhor.

Em quarto lugar, o propósito da eleição. O apóstolos Paulo afirma, categoricamente, que Deus nos escolheu em Cristo, para sermos santos e irrepreensíveis. Se o autor da eleição é Deus, se a causa da eleição é a graça divina, se o agente da eleição é Cristo, o propósito da eleição é a santidade. Deus não nos escolheu para vivermos no pecado; mas para sermos libertos do pecado. Cristo não morreu para que aqueles que permanecem em seus pecados tenham a vida eterna; ele morreu para que todo o que nele crê seja santo com Deus é santo. Se a santidade não é a causa da eleição, é sua evidência mais eloquente. Ninguém pode afirmar que é um eleito de Deus, se não há evidências de santidade em sua vida. Por isso, a Palavra de Deus é oportuna em nos exortar: “Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição…” (2Pe 1.10).

terça-feira, 10 de julho de 2012

Morre a esposa do Reverendo David Wilkerson


Morre a esposa do Reverendo David Wilkerson

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Gwen Wilkerson, esposa do falecido Rev. David Wilkerson, morreu na manhã de quinta-feira (05/07/12), aos 81 anos.
“Ela… se foi para estar com Cristo, com muita paz e ate mesmo antecipação”, disseram seus filhos, Debbie, Bonnie, Grag e Gary Wilkerson em uma declaração conjunta no site da World Challenge.
A morte da Sra. Wilkerson vem há apenas um ano após o acidente de carro que tirou a vida de seu marido. O acidente a deixou temporariamente numa cadeira de rodas.
O acidente devastador, que tirou a vida de seu amado esposo, foram os últimos desafios enfrentados pela senhora Wilkerson em sua vida, incluindo varias batalhas contra o câncer. Apesar da dor, sua família afirma que ela enfrentou a tragédia com uma fé inabalável.
“Ela tinha uma vontade incrível e uma fé inabalável, exemplificada ao longo de sua vida em suas muitas batalhas contra o câncer”, disseram.
Os filhos de Wilkerson agradeceram aos companheiros do ministério por suas orações e por seu apoio ao longo do tempo.
“Oro todos os dias e sempre considerando um grande privilegio fazer parte deste ministério”, disseram eles.
A pagina do ministério Word Challenge, tem recebido muitas mensagem de condolências a família Wilkerson.
“Essa mistura de emoções… esta senhora a quem nunca conheci tem tocado muito a minha vida. Deus esteja com todos vocês”, escreveu Di Brittenden.
“Senhor, utilizastes estes dois servos bons para atingir milhões com seus ministérios”, escreveu Jim Haire “Oro para o conforto de Gary e para toda sua família. Eu sei que vais trabalhar através deles, World Challenge, e a Igreja da Time Square. Obrigado por me abençoar uma e outra vez através da família Wilkerson”.
Rev. Wilkerson fundou a Igreja de Times Square, em Nova York é autor do popular livro, A Cruz e o Punhal, e também é fundador do ministério World Challenge em 1971.
O pastor de renome morreu em 27 de Abril de 2011, em uma colisão de frente com uma carreta, no Texas. Ele tinha 79 anos.
“Desde então minha mãe desejou ir estar com Cristo no céu. Estamos confortados sabendo que ela recebeu sua recompensa.”, diz os filhos do casal do site do ministério.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Amando a Deus com Todo o Nosso Entendimento - Heber Campos Júnior

sexta-feira, 6 de julho de 2012

John Piper - Faça Guerra



Quarto Razões porque Homens gostam de Pornografia

Por Luke Gilkerson[1]

Um Guia de Conversação para Parceiros de Responsabilidade[2]
Uma das tarefas de um bom amigo ou companheiro de responsabilidade para alguns homens que estão presos à pornografia é ajudá-los a entender seu próprio coração. Por que eles voltam-se à pornografia novamente e novamente? Salomão nos lembra de que “o propósito no coração do homem é como as águas profundas (frequentemente não podemos ver nossas motivações)”(Provérbios 20:5 – parêntesis adicionado). Um amigo sábio ajuda a tirar dos outros as motivações mais profundas que eles são incapazes de ver ou não querem ver em si.
Como um companheiro de supervisão, é importante entender o fascínio da pornografia. Quais são as motivações mais profundas que dirigem os homens de volta à pornografia constantemente? Quais são as boas perguntas de supervisão que podemos fazer para chegar à raiz do problema?
1.  Pornografia é fácil, mas relacionamentos são difíceis.
Relacionamentos, especialmente relacionamentos mais íntimos, envolvem trabalho. Todo dia somos obrigados a importar-se com o que está acontecendo na vida dos outros. Devemos suportar com paciência seu humor azedo, comportamento ofensivo e egoísmo – em ambos, em nós mesmos e nos outros.
Em contraste, a pornografia oferece aos homens um sentimento de intimidade livre de riscos. A pornografia oferece aos homens um mundo de fantasia onde eles não são obrigados a conhecer ninguém, não são obrigados ao romance e não são obrigado a nenhum auto-sacrifício em benefício de outros. E para muitos homens, a recompensa é grande: não apenas eles podem evitar os problemas dos relacionamentos reais. Eles também podem sentir prazer de um milhão de mulheres virtuais satisfazendo seus caprichos.

Pergunta para Boa SupervisãoHouve algum relacionamento recente em sua vida que tenha sido extraordinariamente difícil?


2. Pornografia é confortável, mas a vida real é estressante
Pornografia, por contraste, oferece um mundo muito confortável onde nada dá errado. A pornografia oferece um ambiente “pronto para uso” onde nós sabemos exatamente o que nós queremos.
Claro, sabemos que isso é falso. É como aquele tipo de luta-livre ou a “realidade” da TV. Como Chris Hedges diz em seu livro “Empire of Illusion”(Império da Ilusão), o sucesso dessas formas de diversão  não está em nos enganar que essas são histórias reais. “Em vez disso, ele consegue [nos enganar] porque nós pedimos para ser enganados. Nós, felizmente, pagamos para ter a chance de suspender a realidade”

Pergunta para Boa Supervisão – Houve, recentemente, algum estresse em sua vida que trouxe um sentimento de pressão ou tensão?



3. Pornografia é excitante, mas a vida é tediosa
A palavra “tédio” começou a ser usada primeiramente por autores franceses quando eles escreveram sobre aquele sentimento de descontentamento quando a vida fica tediosa. Enquanto o sentimento de tédio provavelmente sempre tem está ao nosso redor, foi apenas nos últimos 300 anos que o temos visto tornar-se uma epidemia social. Blaise Pascal disse que o tédio é o sofrimento do homem moderno quando “ele não tem distração e não tem paixão enlevada ou passatempo”
Tédio é um dos frutos de uma cultura de lazer. Como a riqueza e o tempo livre aumentaram, então aumentou nossa fome por distração. Como chegamos a esperar estimulação constante e excitante, o dia-a-dia pode parecer maçante por comparação. Com o Google nas pontas dos dedos, a informação está em toda parte, e facilmente nos tornamos individuais, expectadores anônimos, raramente assumindo riscos de envolvimento vulneráveis ou compromissos apaixonados – raramente agindo sobre o que conhecemos. Culturalmente somos culpados daquilo que Dorothy Sayer chama de “pecado da tolerância”, o “o pecado que não acreditar em nada, não ligar para nada, não procurar conhecer nada, não interagir com nada, não gostar de nada, não odiar a nada, não encontrar propósito em nada, não viver por nada, e permanecer vivo apenas porque não existe nada pelo que morrer”
A Pornografia oferece um mundo de excitamento sexual à nossas mentes entediadas. A pornografia é uma forma altamente sexualizada da cultura em que vivemos, uma cultura baseada na imagem, um mundo onde bilhões de imagens descrevem milhares de palavras a uma velocidade estonteante.
Pergunta para Boa Supervisão: Você encontrou-se entediado ou ávido por excitação? Você sente que sua vida é mundana?



4. Pornografia faz os homens sentirem-se poderosos, mas a vida real os faz sentirem-se incapazes.
É fácil sentir-se pequeno no mudo. Intuitivamente sabemos que o mundo não gira em torno de nós, mas isto não nos impede de querer que ele faça isso. Queremos a atenção dos outros, que nos tratem como importantes, nos ponham em primeiro lugar. Este desejo pode ser tão forte às vezes, que realmente começamos a pensar que temos direito a isso: queremos um cantinho do mundo onde somos reis.
A pornografia oferece aos homens um grande senso de poder. Para um homem alimentado por fantasia pornográfica, as mulheres nunca dizem não. Na pornografia não existe barreira social entre um homem e a mulher de seus sonhos. A pornografia vende a ideia de que mulheres bonitas são troféus – peças de coleção que mostram aos olhares do mundo o que um homem real realmente é.
Pergunta para Boa Supervisão: Você tem, recentemente, estado em situações que fizeram você sentir-se depreciado, sem importância ou desrespeitado?



Objetivos Bíblicos das Perguntas de Supervisão.
A razão pela qual o parceiro de responsabilidade deveria perguntar estas questões não é, de modo algum, “psicologizar” o pecado. Antes, o objetivo de uma boa pergunta de supervisão é usá-la como um trampolim para concentrar nossos pensamentos nos benefícios do Evangelho de Cristo ao invés dos prazeres do pecado (Hebreus 11.24 – 26)
Cada pergunta abre uma porta para viver Hebreus 10.24: “E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras”
·         Quando perguntamos “Houve algum relacionamento recente em sua vida que tenha sido extraordinariamente difícil?”, o objetivo é ajudar outros verem como eles estão olhando para um relacionamento particular e fazê-los sentir prazer ou satisfação (então, um relacionamento que está sempre deixando-os abatidos). Podemos apontá-los a plenitude da alegria e satisfação que vêm de Cristo (João 15.1 – 11; 16. 16 – 24; Romanos 15.13).

·         Quando perguntamos “Houve, recentemente, algum estresse em sua vida que trouxe um sentimento de pressão ou tensão?” o objetivo é ajudá-los a ver que eles estão usando pornografia como um escape da vida. Nós podemos orientá-los aos salmistas que viram a Deus como seu refúgio (Salmo 46; 59.16, 17; 61.1 – 3; 62.5 – 8; 91; 142). Ao invés de escapar da realidade, podemos escapar para dentro da realidade divina.

·         Quando perguntamos “Você encontrou-se entediado ou ávido por excitação? Você sente que sua vida é mundana?” o objetivo é ajudá-los a ver se eles tem se contentado com uma vida de entretenimento através de uma vida de ócio. Podemos apontá-los para a emoção de conhecer a Deus e obedecê-lo (Mateus 13. 44; 2Coríntios 8.1, 2; Filipenses 1.3, 4; Colossenses 1. 9 – 14; 1Pedro 1.3 – 9; 3João 3,4)

·         Quando perguntamos “Você tem, recentemente, estado em situações que fizeram você sentir-se depreciado, sem importância ou desrespeitado?” o objetivo é ajudá-los a ver que eles anseiam poder, importância e estima dos homens mais do que desejam o favor de Deus. Jesus perguntou: “Como podeis vós crer, recebendo honra uns dos outros, e não buscando a honra que vem só de Deus?”(João 5.44). Podemos indicá-los a glória eterna que o Pai deu a Cristo, e que, como Cristãos, somos participantes na Glória de Cristo por que Ele vive em nós(João 17.20 – 24; Romanos 2.6 – 10; Colossenses 1.24 – 29)

Fonte:  Biblical Counseling Coalition


Traduzido por Gaspar de Souza


[1] Luke Gilkerson é o Diretor, na Internet, da Comunidade Covenant Eyes onde serve como editor geral e autor primário de seu blog, Breaking Free. Luke tem um BA em Filosofia e Estudos Religiosos pela Bowling Green State University e está trabalhando um Mestrado em Religião pelo Reformed Theological Seminary. Antes de trabalhar no Covenant Eyes, passou seis anos como pastor no campus da Universidade de Toledo. Luke mora em Owosso, Michigan, com sua esposa e quatro filhos.
[2] Um parceiro de responsabilidade é uma pessoa que treina outra pessoa em termos de ajudar a outra pessoa manter um compromisso cristão[N.T].


Pastor e ex-travesti: “Deus restaurou minha identidade sexual”

Conheça a história de Joide Miranda, que diz ter deixado a homossexualidade, hoje é casado e tem um filho. Confira o antes e depois e comente no final da reportagem


Anderson Dezan , iG Rio de Janeiro ;



George Magaraia

Pastor Joide Miranda entre sua mulher, Edna, e seu filho, Pedro: "Sou 100% heterossexual"

Na semana passada, gritos e bate-boca marcaram uma audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília. O motivo: estava sendo discutido o projeto de decreto legislativo 234/11, conhecido como projeto de "cura" dos homossexuais. A proposta do deputado João Campos (PSDB-GO) quer derrubar o dispositivo do Conselho Federal de Psicologia que proíbe profissionais de atender pacientes gays que desejam mudar sua orientação sexual.

Para alguns especialistas, essa mudança é impossível. Não é o que pensa o pastor Joide Miranda, de 47 anos. O religioso mora em Cuiabá com a esposa Edna, com quem está há 17 anos, e seu filho Pedro, de 1 ano e 9 meses. Na capital matogrossense, ele fundou a ABexLGBTT (Associação Brasileira de Ex-LGBTTs), entidade que ajuda pessoas que "desejam deixar voluntariamente o estado da homossexualidade".

O estímulo para aqueles que o procuram é a sua própria história: aos 12 anos, Joide assumiu sua homossexualidade, aos 14, virou travesti, aos 21, foi viver uma relação homoafetiva com um italiano e, aos 26 anos, deixou tudo para trás após virar evangélico. Hoje, diz estar 100% restaurado na sua identidade heterossexual.

“A homossexualidade é uma conduta aprendida. Deus restaurou minha identidade e, quando ele faz isso, não há força maligna que faça voltar atrás”, diz ele. “A pessoa precisa substituir aqueles desejos, comportamentos, amizades e a forma de falar. Tem que encher a mente com as coisas de Deus. Precisa do esforço da pessoa”, ensina o pastor. 




A entrevista ao iG ocorreu durante uma viagem ao Rio, onde foi convidado a pregar em uma igreja evangélica em Marechal Hermes, bairro da zona norte da cidade. No bate-papo, recheado de citações bíblicas, Joide Miranda contou sua história, descreveu o que um homossexual deve fazer para deixar de sentir desejo por pessoas do mesmo sexo, disse como iniciou o romance com sua esposa, criticou igrejas evangélicas GLS e fez alertas aos pais sobre os desenhos que as crianças assistem, citando o filme " Rio ". Leia a entrevista:

iG: Qual é o objetivo da ABexLGBTT? Pastor Joide: Abrimos a associação para apoiar aqueles que querem deixar o estado da homossexualidade. Eles não têm onde receber apoio e precisam de acompanhamento espiritual e psicológico. A entidade serve para mostrar a eles que há, sim, uma resposta. Atendo há mais de dez anos essas pessoas e tenho uma metodologia que não sai da Bíblia. Não sou psicólogo, sou um estudioso da Bíblia.

iG: A associação seria uma espécie de alternativa? O Conselho Federal de Psicologia possui uma resolução que proíbe tratar a homossexualidade como um transtorno.
Pastor Joide: A Organização Mundial da Saúde decretou que homossexualidade não é doença, mas, na verdade, eu sofri um transtorno egodistônico. Isso estava na Classificação Internacional de Doenças (CID) da psicologia, mas foi retirado. Precisei passar por uma psicóloga que conhecia e era evangélica. Hoje, se um indivíduo procurar uma clínica e disser que sofre de um transtorno egodistônico de sua identidade sexual, o profissional está proibido de atender. Existem muitas pessoas com esse tipo de transtorno que não querem vivenciar essa vida e sofrem.

G: O senhor rejeita, então, a ideia de que a pessoa nasce homossexual?
Pastor Joide: (Enfático) Eu também acreditava nisso, mas a homossexualidade é uma conduta aprendida. Quando você conhece Deus, percebe que ele é soberano em todas as coisas. Você acha que Deus ia errar justamente no homem a sua imagem e semelhança? Se ele quisesse que eu vivenciasse aquele estado em que estava, tinha me feito com uma vagina.

iG: Quando duas pessoas estão juntas, mesmo sendo do mesmo sexo, elas teoricamente se amam. Deus não é amor?
Pastor Joide: Um rapaz me disse uma vez que Deus estava no seu relacionamento. Se estivesse, ele iria fazer o rapaz sentir prazer no ânus, onde chega toda a sujeira do corpo? (Indignado) Que Deus é esse que faz um homem sentir prazer ao penetrar no ânus de outro homem?

iG: Mas é, de fato, possível deixar de ser gay?
Pastor Joide: Com certeza! Se não fosse, a Bíblia estaria mentindo. O problema da homossexualidade não está embaixo e, sim, na mente. Muitas pessoas que querem mudar dizem que não estão na prática do sexo, mas se masturbam pensando em homens. Como é que eles querem ser libertos? Quando você se masturba, força sua mente a trazer desejos pecaminosos. Ao invés de purificá-la, você está forçando-a se tornar mais pornográfica. É preciso restaurar a mente.

iG: E como fazer isso? Pastor Joide: A restauração da mente só vem através da conversão. A pessoa precisa substituir aqueles desejos, comportamentos, amizades e a forma de falar. Na Epístola de São Paulo aos Romanos, no capítulo 12, versículo dois, a Bíblia diz: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito”. Isso quer dizer que meu círculo de amizade tem que ser transformado, as coisas que assisto e que me levam a ter uma mente pornográfica têm que ser mudadas. Se quero ser restaurado na minha identidade sexual, tenho que encher minha mente das coisas de Deus.

iG: Mas isso deve levar um tempo...
Pastor Joide: Não é do dia para a noite. Precisa do esforço da pessoa. É isso o que muitas pessoas não conseguem entender. Elas falam que estão há muito tempo na igreja e os desejos continuam na mente. O que elas têm feito para que isso aconteça? Têm lido a Bíblia, têm buscado as coisas de Deus, têm caminhado com o senhor? As pessoas acham que Deus é uma fada madrinha e tem obrigação de fazer todas as coisas. Muitas coisas dependem exclusivamente de nós.

iG: Como foi essa mudança para o senhor?
Pastor Joide: Eu me vestia, falava e andava como uma mulher. Sentava e cruzava as pernas. Sentar de perna aberta foi um exercício, um esforço muito grande. Eu tinha o conhecimento da palavra, Deus estava no comando de todas as coisas, mas tive que lutar. Quando dou palestras, pergunto aos presentes se eles acham que foi fácil sentar de perna aberta e coçar o saco. Não foi, não! (ri) Um anjo não desceu dos céus e disse que eu tinha que coçar o saco. Eu me cobrava: “Joide, senta como homem! Coça o saco!” (ri) Quando existe o querer da pessoa, Deus age e opera.

iG: Essa atitude de mudança não pode soar como homofóbica? Não devemos amar igualmente os irmãos?
Pastor Joide: Amar, sim. Amo todo mundo. Amo os homossexuais, só não concordo com a prática do homossexualismo. É totalmente diferente.

iG: E, na sua opinião, o que leva uma pessoa a virar homossexual?
Pastor Joide: São vários fatores. O que mais vemos são abusos sexuais na infância. Temos também rejeição no ventre. Às vezes o pai sonha em ter um filho e, de repente, vem uma menina. Outro fator são os pais que suprem toda a necessidade material do lar, mas trabalham tanto que chegam em casa cansados para ouvir e brincar com os filhos. Há ainda as crianças sem referencial paterno, só materno. O menino quer brincar com boneca e a mãe não interfere. Leva ao psicólogo e ouve que não tem nada a ver e vai passar. Se formos olhar a infância, em 99% dos casos o estado da homossexualidade começou lá. O inimigo das nossas almas sempre age no início. É por isso que todos dizem que nasceram assim.

G: O senhor costuma dizer que a mídia faz apologia aos gays. Os pais devem ficar atentos à programação na TV?
Pastor Joide: A televisão traz uma péssima influência para as crianças. Quais são os filmes e desenhos que elas assistem hoje? Os pais não têm essa visão. Atarefados, largam os filhos em frente à TV. Pare e preste atenção. No filme “ Rio ”, por exemplo. Tem um buldogue fantasiado de Carmen Miranda! (Indignado) Onde já se viu um cachorro brabo usar biquíni e fantasia de Carmen Miranda? Também tem um barbudo, segurança do centro de recuperação de aves, que sai do armário de tanga e rebolando. ( assista às cenas do filme "Rio" citadas pelo pastor ) Qual é o objetivo? Saí do armário, declarei o que sou. Irmão, isso se chama mensagem subliminar! Os pais precisam estar atentos. O adulto não percebe, mas a criança, sim.

iG: Como foi sua infância? Como era a relação com seus pais?
Pastor Joide: Não tive uma boa relação com meu pai. Ele era alcoólatra, extremamente agressivo. Em frente a minha casa morava um advogado. Quando tinha seis anos, esse vizinho me levou para a casa dele e me molestou. Não houve penetração, mas fiquei machucado. Cheguei em casa chorando, mas tive medo de contar para meu pai. O advogado também me ameaçou, dizendo que ia me desmentir se eu contasse. Só que depois ele começou a me tratar bem. Eu ia para a casa dele e recebia carinho e balas. Comecei a ganhar desse homem o que não recebia do meu pai e ele começou a me molestar. Quando tinha sete anos, ele me levava para o motel, tocava em mim e pedia para eu fazer sexo oral. Ele fazia sexo oral em mim e se masturbava. Ainda me dava doces. Acabei ficando viciado nisso. Logo vieram brincadeiras com outros meninos...
 
iG: Seus pais não perceberam nada?
Pastor Joide: Eu me tornei uma criança muito agressiva. Parei de estudar e meus pais não perceberam nada. Sou o único homem de quatro filhos. Minha mãe não se preocupou tanto comigo, tomava mais conta das meninas. Minha casa também vivia em pé de guerra. Meu pai bebia, agredia minha mãe, me espancava e batia nas minhas irmãs. Foi nesse cenário que aos 12 anos assumi minha homossexualidade.

iG: Como ficou a relação com seus pais após isso?
Pastor Joide: Com meu pai já não tinha um bom relacionamento. A minha mãe sofreu e chorou muito. Amado, vou falar uma coisa: por mais que a mídia faça apologia ao homossexualismo e de que os pais têm que aceitar a opção de seus filhos, no fundo, nenhum pai aceita porque é um vazio dentro da alma. Todo pai sonha com a continuidade da família. A situação na minha família foi ficando insustentável porque o problema não era mais só com meu pai e, sim, também com minha mãe e minhas irmãs. Elas diziam que eu era uma vergonha e minha mãe dizia que não tinha me feito daquele jeito.
  


iG: E por que virou travesti?
Pastor Joide: Eu tinha 14 anos. Segui esse caminho por causa da situação em que me encontrava. Parei com meus estudos e saí de casa. Vi na esquina um grupo de travestis e percebi que eles entravam e saíam de dentro dos carros. Perguntei se eles ganhavam dinheiro naquela vida e ouvi que ganhavam muito. O diabo soprou no meu ouvido que aquela era uma forma de me vingar do meu pai porque ele vivia dizendo que eu não valia nada, que era um inútil. Fui provar para ele que ia ser alguém na vida.

iG: A prostituição te deu muito dinheiro?
Pastor Joide: Um travesti me levou para a esquina e ali comecei a ganhar dinheiro, ainda em Cuiabá. Fui ganhando cada vez mais e me disseram que no Rio teria mais lucro. No Rio, me disseram que em São Paulo ganharia mais. Segui pra lá, onde coloquei quatro litros e meio de silicone no meu quadril. Em São Paulo, conheci travestis com carro do ano, muito chiques. Perguntei onde eles ganhavam tanto dinheiro e me disseram que em Paris ganhava-se mais...

iG: E foi para a França?
Pastor Joide: Já fazia cinco anos que estava na prostituição, juntei uma quantia e viajei. Cheguei a retornar ao Brasil, mas não me adaptei. Voltei para a Europa e morei em Portugal, na Espanha, Itália e Grécia. Em Barcelona, coloquei 380 ml de silicone no peito. Em Milão, conheci um italiano que dizia ser apaixonado por mim. Ele me levou para conhecer sua família, fomos morar juntos e deixei a prostituição.

iG: Como foi esse relacionamento?
Pastor Joide: Não há fidelidade nesse tipo de relação. Meus amigos não eram fiéis aos seus parceiros, como eu não era ao meu e nem ele a mim. Esse é um aspecto que a mídia não mostra. Uma coisa é estar diante da sociedade, outra coisa é quando se encontra só. Na frente das pessoas, mostrávamos o glamour, todos bonitos e produzidos. Quando nos encontrávamos a sós na madrugada, questionávamos a vida miserável que estávamos vivendo. Muitos iam para as drogas e bebidas para disfarçar aquela hipocrisia. Olhava meus amigos gays e travestis na faixa de 50 e 60 anos e via como eles sofriam. Não tinham parceiros e aqueles que tinham era por causa do dinheiro. Eu pensava que, se não morresse naquele momento, aquilo ia acontecer comigo.

iG: Quando as coisas começaram a mudar?
Pastor Joide: Minha mãe aceitou Jesus e começou a falar que ele tinha uma obra para minha vida. Mas eu achava que não havia solução. Um dia, com mais de cinco anos de relacionamento com o italiano, flagrei uma traição dentro da minha casa. Fiquei muito abalado porque entendi que a beleza que eu tinha não adiantava nada. Voltei ao Brasil e fui à igreja após um convite da minha mãe. No culto, o Espírito Santo falou ao meu coração e entreguei minha vida a Jesus. Não foi fácil. Foram quatro anos de renúncia, sendo acompanhado por uma psicóloga. O meu interior estava todo bagunçado.

iG: Chegou a ter recaídas nesse período?
Pastor Joide: (Enfático) No primeiro ano, claro que tive! Só que nelas eu chorava, pedia socorro e procurava a pastora que me ajudava. Falava que não ia dar conta. Foi aí que Deus deu o discernimento para ela e fui viver na sua casa. Lá, tive uma injeção de fé.

iG: Como conheceu sua esposa?
Pastor Joide: Enquanto dava o meu testemunho em um ginásio. Dois meses depois, nos reencontramos. Ela foi à igreja onde eu frequentava e começamos a ficar amigos. Gostei tanto dela que, quando vinha a vontade de voltar ao passado, dizia que não podia decepcioná-la. Ela confiava demais em mim. Ainda éramos amigos e eu falava para a Edna chorando que não ia dar conta. Mas ela dizia que eu ia conseguir, sim. Olhava e pensava: essa menina é realmente minha amiga. Isso foi criando uma força.

iG: Na construção do relacionamento, foi fácil começar a desejar uma mulher?
Pastor Joide: Quando comecei a ter sentimentos pela minha esposa nem eu mesmo queria. Mas comecei a observar que era um sentimento diferente, algo que não tinha tido por ninguém. Minha mão suava, meu coração parecia que ia sair pela boca e me dava uma tremedeira. Depois entendi que estava apaixonado e que esse amor vinha do trono da glória de Deus. Quando ficamos noivos, sonhava, desejava e ansiava em tê-la nos meus braços. Posso dizer que casei virgem porque fazia uns quatro anos ou mais que não tinha relação com ninguém. Era um novo homem. A Edna não casou com um travesti e, sim, com um homem 100% heterossexual, restaurado na sua identidade sexual pelo poder do evangelho. Entre namoro, noivado e casamento já são mais de 17 anos.


 G: O senhor ainda conta com alguma ajuda psicológica?
Pastor Joide: Não preciso mais. Posso ver homem nu, de bunda de fora. Deus restaurou minha identidade e quando ele faz isso não há força maligna que faça você voltar atrás. Mas não fiquei com amnésia. Lembro do meu passado, as feridas foram cicatrizadas, mas estão aqui. Elas servem para cicatrizar as feridas expostas de outras pessoas.

iG: Qual é sua opinião sobre as igrejas evangélicas inclusivas, que aceitam gays?
Pastor Joide: Amigo, as pessoas usam a Bíblia para satisfazer a vontade da carne. Elas não querem crucificar a carne, querem viver um cristianismo sem renúncia. O fato de as pessoas andarem com Jesus, falarem dele e abrirem igrejas não quer dizer que elas estão com Jesus. Esses pseudopastores fundam essas igrejas dizendo que Jesus é amor, mas ele também é justiça. É mais fácil achar que Jesus é só amor e viver no pecado. A crucificação dói e muitos não querem isso...

iG: Como o senhor pretende contar a sua história para seu filho daqui a alguns anos?
Pastor Joide: Com a maior naturalidade possível. Vou contar que o pai vivia na iniquidade e não conhecia Jesus. Quando o pai é amigo, conselheiro e explica, não tem confusão. Quero começar a conversar sobre sexualidade com meu filho aos cinco anos. Quando ele começar a ir à escola, vou falar para não deixar ninguém pegar na sua bunda. “Filho, não tem nada de (faz voz de criança) piu-piu”. Quando dou banho nele, brinco e falo: (engrossa a voz) “Tira o cacete pra fora, rapaz!” Se minha mãe me corrige, dizendo que não é cacete, respondo: (bravo) “Que negócio é esse da vovó dizer bilu? Bilu, o quê? É pinto, cacete, pau! (ri)


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